terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Rio Grande de desilusão


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Prezados leitores. O Daniel, meu editor neste espaço, pediu para fazer uma coluna de balanço do ano.

Confesso. Não consegui. Ou melhor: Na verdade, esta coluna é muito diferente de todas as que já escrevi neste espaço. Primeiro, porque não é uma coluna, é uma carta, quase um desabafo; segundo, porque não tenho muito o que dizer. Tenho, apenas, talvez, "à la Guimarães Rosa", algumas coisas a "desdizer".

Minha pauta na revista é tratar da cena política gaúcha. Acreditem: Não é uma tarefa fácil. Sou gaúcho, e ser gaúcho nos dias de hoje não é simples. Ser gaúcho vem se tornando todos os dias mais complicado. Analisar o cenário político é pior ainda. E, em 2010, tudo pode se tornar até mais difícil.

Todas as semanas no últimos meses tenho sido obrigado a refrear meu desejo de pedir ao Daniel para alterar minha pauta. Acordo sempre às segundas feiras desejando falar sobre o Brasil e o sucesso do governo Lula, sobre o Obama e o desafio de administrar a crise do império, sobre a América Latina e a afirmação de seu povo nos espaços públicos. Mas não. Tenho de tratar da cena gaúcha, e isso hoje é tratar da miséria da política, da pequenez, dos mais baixos instintos que quase sempre estão por detrás dos movimentos de hoje em dia no pampa.

Não. Não estou falando de ética ou de falta dela na política gaúcha. Este assunto, confesso, não é o que mais me preocupa. Penso, aliás, que o governo Lula conquistou avanços fantásticos neste terreno. "Nunca na história deste país" se viu tanto criminoso de colarinho branco tocando piano nas delegacias antes reservadas apenas aos bandidos pobres.

O problema é outro. Vivemos hoje num país que saiu da crise porque soube defender suas empresas, seu patrimônio, seu povo. Um país que aos poucos torna-se motivo de orgulho por todos lados. Ser brasileiro na Europa durante muito tempo foi sinônimo de ser trambiqueiro ou prostituta, no máximo jogador de futebol. Nos últimos anos, o país foi capaz de iniciar uma verdadeira revolução que hoje reposiciona o Brasil no mundo. O Rio Grande do Sul, não.

Também não estou falando de justiça social. Esse assunto hoje é domínio federal. E, justiça seja feita, "nunca antes na história desse país" se viu o povo sendo tão "justiçado" como está sendo agora. É Bolsa Família, Fome Zero, Minha Casa Minha Vida, salário mínimo que cresce, emprego que cresce, mais educação e até saúde. E isso, o Brasil está fazendo por todos, inclusive pelos gaúchos.

Estou falando é da falta de liderança, da incapacidade política dos gaúchos, da sua incompetência para tirar o Rio Grande da situação em que encontra. É lamentável, mas todos os indicadores são claros. O Rio Grande do Sul perdeu a onda do crescimento nacional. No Rio Grande do Sul, demos as costas a tudo o que de bom está sendo conquistado em nível nacional. Crescemos como rabo de cavalo. Para baixo, e para trás. E isso é culpa de todos os gaúchos que não conseguiram gestar nas últimas décadas lideranças capazes de enfrentar nossos problemas. Isso é culpa sua e é culpa minha. Acho que é por isso que não consegui fazer um balanço.

Quando Olívio Dutra foi governador, disseram que o problema era o PT. Tivemos quatro ano de PMDB e agora mais quatro de PSDB. Passamos quase oito anos sem o PT e o Estado só piorou. Alguns dizem agora que o problema todo é dos "serristas". O governo gaúcho, tendo a tucana Yeda Crusius à frente, está atolado na falta de ética. E esse seria o seu maior problema.... mas, acreditem, esse não é nosso maior problema.

A falta de ética na política gaúcha é apenas reflexo da mediocridade. Quando ladrões e achacadores se tornam "líderes" políticos, algo está muito mal. E o que está mal entre nós é a falta de liderança verdadeira, é a falta de política, a falta de grandeza.

Hoje, o Rio Grande do Sul está tão preso ao passado que, com tristeza e esperança, lembrei Drummond: "Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."

4 comentários:

Rogério Maestri disse...

Caro Paulo.

Concordo contigo no diagnóstico da doença, mas na causa não. Infelizmente o que ocorre no Rio Grande do Sul, ultrapassa a capacidade ou incapacidade de seus governantes, acho que o problema é mais cultural do que qualquer outro.

O Rio Grande do Sul nas décadas de 20, 30 e 40, tinha uma importância muito maior do que hoje ele pensa que tem! Somos um pouco Argentinos, e como dizia Guevara ao analisar seus compatriotas, "O melhor negócio do mundo é comprar Argentinos pelo preço que eles valem e vender pelo preço que eles acham que valem".

Infelizmente estamos num processo deste tipo, os gaúchos acham que valem muito mais do a realidade, e centram no Rio Grande do Sul tanto a política nacional como algumas vezes a internacional!

Temos um espírito bipolarizado que começa no Futebol e termina na Política, ou se é contra ou se é a favor. Nos orgulhamos não sei bem do que (eu sou gaúcho de família gaúcha e vivo no Rio Grande do Sul). Nos lançamos na frente em vários empreendimentos sendo pioneiros em muitas coisas, depois não conseguimos conservar este pioneirismo!

Na administração pública e privada somos pioneiros em vários aspectos que depois se transformam em orgãos públicos ou instituições privadas anacrônicos, não conseguindo evoluir com o tempo. Poderia citar exemplos, mas como aqui tudo é levado para o lado pessoal me guardarei o direito de não fazê-lo.

Dizemos que somos o Estado mais politizado do Brasil, mas nossos políticos são obscuros ou até patéticos perante a política nacional. Na indústria e agricultura somos pioneiros em vários setores, mas com o tempo vemos estes setores se esvaziando dando lugar para outras frentes mais progressistas.

Talvez o motivo principal do declínio Riograndense esteja na exportação do que temos de melhor, o material humano. Levas e levas de gaúchos seguiram e seguem para novas fronteiras, levando com eles o arrojo e a criatividade, o que nos resta, é pensarmos como Argentinos e ter uma economia como o Uruguai.

Luis Hipolito disse...

Tudo bem?

Eu acho que a questão não está no partido que governa, mas sim na capacidade de cada governador. Aqui na Bahia, o governo do PT tem sido muito criticado pela inoperância e a violência reinante em todo o Estado. Estamos perdendo investimentos para Pernambuco, estado governado pelo PSB, que hoje é a locomotiva do Brasil com o Complexo de Suape. Leio a coluna Ponto Critico e vejo muitas críticas ao governo gaúcho. Espero que essas eleições nos tragam alguma esperança de melhora em nossos Estados!!!

Ariany disse...

Olá,

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