quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O monstro do marketing quer devorar Madonna


O marketing é uma atividade multifacética. Tem muitas possibilidades. Me lembra às vezes o mundo das finanças... O marketing de celebridades, por exemplo. Movimenta milhões de dólares. Fui saber agora, depois das eleições. Madonna está em guerra com o marido Guy Ritchie. O casal está brigando até pelos empregados de suas casas e escritórios. Ambos querem usar os funcionários como testemunhas no processo de separação.
Os empregados têm sido contactados pelos advogados de Guy e Madonna para testemunhar, principalmente sobre os filhos dos dois: Rocco, de sete anos, e David Banda, de três anos, adotado pelo casal. Madonna quer que os meninos vão viver com ela e sua filha Lourdes Maria em Nova York. Já o cineasta vai pedir que as crianças fiquem com ele em Londres.
No meio disso, o marketing de celebridades vibra. Páginas e páginas de revistas. Todo um mundo de fofocas e opiniões. Dê a sua também. Abri uma enquete aí do lado para saber a opinião dos meus leitores sobre este importante acontecimento, depois das eleições norte americanas no mês de novembro. Não. Não é ironia. É sobre a leitura deste tipo de acontecimento que a cultura mundial se desenvolve hoje. Tem uma enorme importância para o marketing. Por mais fantasioso e abstrato que possa ser, esta é uma parte importante da realidade que o mundo vive.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Chega de marketing eleitoral


As eleições acabaram. Os balanços estão feitos. Estou querendo descansar um pouco do assunto, voltar à vida normal. Antes, entretanto, uma observação um pouca longa, mas necessária.
À medida que a democracia brasileira se consolida, o interesse pelo marketing político é crescente entre os partidos, governos e instituições políticas do País. Uns o compreendem de forma instrumental, uma ferramenta para buscar mais votos; outros como uma metodologia, uma nova abordagem organizativa da política adequada às novas realidades da sociedade da informação; e há também os que recém o estão descobrindo e pensam que o marketing pode resolver todos os problemas.
O primeiro partido a fazer uma utilização sistemática e estruturada do marketing no Brasil, no período recente pós-Ditadura Militar, foi o Partido dos Trabalhadores. Como reação, os partidos tradicionais passaram a utilizar-se do marketing político, primeiro adotando uma postura e desenvolvendo uma relação de manipulação (como nos primeiros tempos do marketing empresarial, em que se tratava apenas de ampliar as vendas) e mais recentemente buscando inovar e estabelecer uma relação inteiramente nova em relação aos seus eleitores.
O sucesso, o rápido crescimento, a conquista de espaços importantes de governos, inclusive da presidência da República, por parte do PT, fez com que os demais partidos buscassem compreender as razões deste feito. Um deles, central, está na utilização do conceito de marketing político e na capacidade do PT de estabelecer uma relação de marketing eficaz com seus públicos. A re-eleição de Luis Inácio Lula da Silva veio confirmar isso, deixando mais uma vez seus opositores desorientados, quando não perplexos.
A realidade atual é de um crescente interesse pelo marketing. Campanhas eleitorais de candidatos a prefeito em cidades de mais de 200 mil eleitores recorrem necessariamente a um trabalho de marketing. Mesmo candidatos a vereador em municípios pequenos demonstram interesse por uma assessoria de marketing. Políticos mais antenados têm recorridos a consultores de marketing de modo permanente, fora dos períodos eleitorais. Um grande número de jornalistas, publicitários, relações públicas, assessores políticos vem se profissionalizando na atividade do marketing político, se tornando especialistas.
Na verdade, desde que foi utilizado pela primeira vez na campanha do general Einsenhower a presidente dos EUA em 1952, o marketing penetrou na política dia após dia. Em pouco mais de meio século, tornou-se a principal ferramenta de manutenção da relação entre a esfera política e os eleitores. Bom para quem trabalha com o marketing político, e eu diria que é bom também para a própria política.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Entrevistei o Carlinhos Hartlieb em 1983 e não lembro disso


No meio agora das campanhas, cheio de trabalho, me consultaram sobre a possibilidade de utilizar uma entrevista que eu havia feito com o Carlinhos Hartlieb. Minha primeira reação foi achar que havia engano. Disseram que não. Que era eu mesmo no arquivo de vídeo da TVE. Pedi pra ver. Me enviaram uma cópia. Não é que era eu mesmo?
Estou lá, faço a entrevista como se fosse para um programa. O vídeo provava duas coisas: primeiro, de fato fui amigo (não muito íntimo, mas amigo) do Carlinhos nos tempos de estudante/trabalhador ou trabalhador/estudante e lembro, isso sim, de ter ficado chocado com a notícia da sua morte; desde 1977 eu já trabalhava como jornalista e em 1983 estava irremediavelmente envolvido com a comunicação.
Mas isso colocou um novo mistério na minha vida. Eu nunca trabalhei na TVE. Não lembro de ter feito a entrevista. Não lembro de ter conhecido a menina que entrevista o Carlinhos junto comigo....
Mistério total. Mas não posso negar: sou eu, um pouco mais jovem, cabelos mais longos e uma barba que nunca conseguia se realizar. Se não fui eu, Matrix existe e construiu um novo passado pra mim.
Um passado legal. Assistam o vídeo - pelo Carlinhos.
(obs: o vídeo tá postado no clic rbs e roda melhor no explorer do bill gates).

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Os 10 mandamentos e o marketing


George Carlin (1937 — 2008) foi um comediante, ator e autor norte-americano, pioneiro no humor de crítica social. Crítico acérrimo das religiões, ateu convicto, principalmente do sentido da culpa e do controle social, defendia valores seculares.
Este trecho de um show em que trata dos Dez Mandamentos como um decisão de marketing é bastante engraçado.

domingo, 26 de outubro de 2008

As lições de marketing do segundo turno no RS (3)


A vitória de Jairo Jorge em Canoas é a vitória do trabalho e do profissionalismo de marketing. Diferentemente de Pelotas, Porto Alegre, Caxias e Alvorada, Jairo não tinha a popularidade de Marroni, Rosário, Pepe ou Stela. Jairo estava muito tempo distante de Canoas, trabalhando em São Paulo e depois em Brasília. Mas em 2004, quando isso parecia ainda impossível, Jairo decidiu perseguir a reconstrução do PT em seu município e retomar a busca de uma alternativa para o governo municipal. Iniciou sua caminhada e lançou uma candidatura a deputado em 2006, que lhe rendeu 15 mil votos na cidade, num colégio de 238 mil eleitores. Era um passo necessário na caminhada até a prefeitura. Como diz o ditado chinês, uma longa jornada começa com um primeiro passo. Foi o que Jairo fez.
Não pense que a explicação para a vitória esteja na debilidade dos adversários, abalados com as denúncias de corrupção. Não. Os adversários em Canoas eram mais fortes que em Alvorada ou Pelotas. Mais fortes que Fogaça em Porto Alegre. O que explica a vitória de Jairo é o novo conceito que ele desenvolveu.
Convencido de que a política denuncista do PT nas eleições anteriores não atrai os eleitores, Jairo fez uma campanha propositiva, apresentando propostas concretas para resolver os problemas das pessoas e da cidade. No lugar do isolamento e da luta interna, Jairo conseguiu unificar o PT e construir uma ampla aliança em torno a um projeto de mudança, atraindo forças inusitadas como o PP, o PPS e o próprio DEM num primeiro momento. Na ausência de meios de comunicação no município, que tornariam mais fácil a campanha, Jairo se valeu do buzz marketing, com equipes porta a porta que varreram a cidade pelo menos duas vezes.
Canoas foi o município onde a direita primeiro desenvolveu a orientação de marketing que levou à derrota do PT no Estado e em Porto Alegre. Yeda Crusius "nasceu em Canoas". Agora, Canoas pode vir a ser o embrião de um novo tempo na política gaúcha.

As lições de marketing do segundo turno no RS (2)


Em Pelotas, Marroni seguiu o mesmo curso de Porto Alegre. Com muito mais chances, Marroni tinha tudo para posicionar-se como o defensor de Pelotas e acantonar Fetter como o candidato das elites e da máquina. Os demais, sem chances, seriam os candidatos de seus próprios interesses a serem cortejados tendo em vista um provável segundo turno.
Numa campanha que iniciou tarde e menosprezou o trabalho de infantaria até a reta final, uma decisão de marketing equivocada colocou tudo a perder. Marroni contratou uma equipe de fora do estado que o transformou no primeiro turno em "amigo" do Lula em Pelotas, deixando as realizações e a defesa do município simbolicamente nas mãos de Fetter. Nem mesmo as alianças de segundo turno com o populista Anselmo e a intervenção na condução da TV conseguiram reverter as tendências de isolamento semeadas no primeiro turno.
Pelotas não é Porto Alegre, mas a opção por "nacionalizar" o marketing, trazendo equipes caras e limitadas (pela sua incompreensão da realidade e da cultura locais), que vendem "pacotes de marketing", e na verdade não sabem fazer campanhas concretas para realidades concretas, também redundou num fracasso.

As lições de marketing do segundo turno no RS (1)


O segundo turno no Rio Grande do Sul rende um estudo de marketing. O estado tem quatro cidades com possibilidades de segundo turno. Em Caxias, José Ivo Sartori (PMDB) conseguiu vencer no primeiro, isolando Pepe Vargas. Sobraram Porto Alegre, Pelotas e Canoas.
Em Porto Alegre, a derrota de Rosário para Fogaça estava escrita desde o começo. Rosário terminou sua campanha onde devia ter começado. Somente a partir da metade do segundo turno, Rosário conseguiu unificar o seu exército. Para isso, demitiu a equipe de marketing do primeiro turno e colocou a política no centro do debate. Já era tarde, mas pelo menos impediu uma derrota desmoralizante.
Unificar o exército para enfrentar uma campanha é o primeiro passo de qualquer jornada. Não garante a vitória, mas sem cumprir esta tarefa básica a derrota é praticamente certa. E o PT em Porto Alegre não só não conseguiu manter as forças aliadas históricas unidas (PCdoB e PSB), como se dividiu numa prévia ritualística e desgastante.
Já disse aqui que o problema do PT de Porto Alegre é que ele é um excelente fabricante de disco de vinil. Passou 16 anos produzindo os melhores discos da praça, mas o eleitor de Porto Alegre mudou, quer CD, MP3, IPod... Para encobrir uma nova edição de disco de vinil, o PT contratou uma equipe de marketing (coordenada por um mineiro chamado Augusto) que já tinha estado em Porto Alegre no segundo turno de 2004.
Lá atrás, Augusto e sua turma já tinham ajudado na derrota inventando um Raul que não existia. Fiz o primeiro turno em 2004. Sei do que estou falando. No primeiro turno, apesar das insuficiências políticas do partido, os programas de TV e rádio ajudavam Raul Pont a crescer. No segundo, puxavam pra baixo. Mas o PT de Porto Alegre, não querendo ver que o problema é no produto e não na publicidade, chegou à conclusão que a derrota em 2004 foi por não ter trazido o Augusto antes.
A reorganização do exército petista no segundo turno obrigou Fogaça a revelar sua alma neoliberal e fernandohenriquista. Fogaça já havia construido em 2004 uma couraça publicitária coerente que o protegeu de suas debilidades políticas. De novo, sua equipe de marketing demonstrou superioridade em combate. Minimizou os pontos fracos e potencializou os pontos fortes.
Olhando pelo lado do marketing, venceu o mais competente. O PT de Porto Alegre, que fez escola em termos de inovação em campanhas com a Casa de Cinema terá de repensar seus próximos desafios. Principalmente porque em seu território surgiram e vão surgir ainda mais Manuelas e Lucianas.

sábado, 25 de outubro de 2008

Pesquisas em Canoas mostram que Jairo deve vencer


Conversei longamente ontem com Eduardo Audibert, diretor do Instituto de Pesquisas Fato. O Fato está fazendo as pesquisas para publicação na RBS neste segundo turno em Canoas e Pelotas. Da nossa conversa resultou minha convicção de que Jairo Jorge vai vencer amanhã.
Meu relacionamento com o Eduardo é antigo. Há cerca de 12 anos, quando eu estava em transição para Porto Alegre, fui morar num apartamento alugado em nome dele. Ele não tinha grana pra fazer a entrega. Eu estava desempregado e não tinha fiador... O Eduardo tem uma larga experiência com pesquisas. Sabe perfeitamente que elas são fotografias do momento. Que o fato dos números colhidos dias antes coincidirem com o que acontece nas urnas é possível, mas pouco provável.
O mais importante sobre Canoas: O Eduardo detectou instabilidade, insegurança do eleitor, desejo de votar em Jairo, mas também atração pelo marketing de Jurandir na reta final. Num determinado momento da nossa conversa ele disse: "É bastante provável que o resultado das urnas seja diferente do que eu colhi. A eleição em Canoas vai ser decidida a caminho da urna."
E é por isso que Jairo vai vencer. Canoas não quer mais Ronchetti e Jurandir é vice de Ronchetti. Canoas não quer mais corrupção. E Jurandir é vice de Ronchetti. Canoas quer ser uma grande cidade. E só Jairo Jorge oferece esta possibilidade.
O número mais significativo desta pesquisa da Fato em Zero Hora é a expectativa de vitória: Jairo tem 56% e Jurandir pouco mais de 30%. Minha aposta é que a pesquisa do Eduardo mostra uma diferença de 6 pontos percentuais nos votos válidos e a eleição em Canoas vai se decidir por um percentual bem maior.
Se não for isso, eu subestimei o marketing collorido, o marketing de Deus, em Canoas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Zero Hora confirma Jairo na frente

A Zero Hora deste sábado confirma a liderança de Jairo Jorge em Canoas. A pesquisa, realizada pelo instituto Fato com 800 entrevistados, mostra o candidato do BOM com 53% das intenções de votos válidos, seis pontos à frente de Jurandir Maciel.
O clima da campanha em Canoas é acirrado e a expectativa de vitória é ainda mais favorável ao candidato Jairo Jorge.
Jairo fez uma campanha afirmativa, baseada em propostas, no embate de idéias e na qualidade do processo eleitoral. No segundo turno, Jurandir Maciel acidentou-se garantindo com isso não comparecer aos debates e permitir ao mesmo tempo que seu exército fizesse uma campanha agressiva e caluniosa. O marketing de Jurandir perseguiu o modelo Collor de Mello.
Nesta reta final, surgiram pelo menos dois materiais de ataque a Jairo Jorge por dia. A campanha de Jairo soube resistir aos ataques e deve ser vitoriosa neste domingo. Para ver a pesquisa completa, entra no site da Zero Hora, Eleições 2008, pesquisas...

Marketing de Deus


Merece atenção o marketing teatral do Jurandir Maciel neste segundo turno. Nesta sexta feira o jornal Correio do Povo publica uma declaração impressionante: "Enquanto eu estava no hospital, Deus me disse: Fica aqui, porque eu vou pelejar com o teu povo e construir tua história."
Algumas hipóteses para pensar, enquanto o domingo não vem:
1) Um candidato que tem a coragem de transformar Deus em seu cabo eleitoral não tem limites e é perigoso;
2) A declaração é quase uma confissão de que o acidente é só teatro, porque quem coloca Deus assim a seu serviço pode muito bem querer fazer o mesmo com a mídia e com o povo;
3) O candidato faltou à aula de catecismo que manda não usar o nome de Deus em vão;
4) O candidato está tão abalado e desesperado diante da derrota iminente que disse a primeira bobagem que lhe veio à cabeça.
5) Deus existe e Jurandir contratou Ele para a sua campanha.
De qualquer forma, uma coisa é certa: a inspiração do marketing de Jurandir contra Jairo Jorge em Canoas neste segundo turno é toda Collor de Mello contra Lula em 1989. Como a história só se repete como farsa, acho que os fariseus serão afastados do poder em Canoas.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Marketing errado fez Marta perder


Não tenho dúvida. Se votasse em São Paulo, votaria na Marta. Mas o resultado da nossa enquete é taxativo. Diante da pergunta sobre se a campanha de Marta errou ao atacar Kassab, 62% dos que afirmaram que sim, 16% disseram que não e 20% responderam talvez. Ou seja, o marketing errado está fazendo Marta perder mais uma vez a campanha em São Paulo.
Antes que alguém questione a validade da enquete deste blog como um instrumento cientificamente válido, deixa eu dizer que acredito mais nesta enquete que em muita pesquisa científica que vi nestas eleições. Vinte e quatro pessoas qualificadas, entre elas eu, deixaram sua opinião sobre a correção do ataque da campanha de Marta ao seu oponente em São Paulo.
A maioria opinou contra o ataque. Esta maioria traduz uma lição básica do marketing político no Brasil. A lição é a seguinte: Pense uma, duas, três, dez vezes antes de fazer um ataque ao adversário numa eleição. Porque o ataque pode virar contra você.
Ao atacar Kassab, deixando espaço para o demo paulista "assumir ser gay mas posar de vítima", a equipe de marketing de Marta parece não viver na São Paulo real - uma cidade que tem uma Parada Gay de 5 milhões de pessoas - nem ter assistido o Big Brother 5 - quando o vencedor Jean ganhou multidões assumindo uma suposta homossexualidade e posando de vítima.
Tenho um amigo que diz que tudo isso não passa de vingança do malufismo, porque os marqueteiros em questão teriam se notabilizados com o Dr. Paulo. É um raciocínio político estranho, maquiavélico demais. Eu já penso que o problema é mais sério: temos uma escola de marketing - a mais cara do país - que está falida, que colhe uma derrota sobre a outra. E o pior é que encontra defensores por onde passa. Isso é o que eu não entendo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Como é difícil fazer marketing!


Ninguém postou um comentário a respeito, mas me falaram. Achei grave, porque quiseram falar pessoalmente. Estavam avaliando o blog muito "americano". Não. Não vou dizer quem foi. Para esta pessoa, passei um entusiasmo com a campanha do Barack Obama que talvez ele não mereça. Não retiro o entusiasmo, mesmo que ele não mereça, porque a campanha merece. Mas não foi isso que me preocupou. Na vida de um blogueiro novato perder um leitor é perder muito, e fiquei preocupado com perder meus poucos leitores...
Então, prestem atenção: meu interesse na campanha do Obama é profissional. PROFISSIONAL! Não vou me filiar no Partido Democrata. Lá, sou só um latino americano a mais destinado a limpar latrinas ou dirigir táxis. Entre o Obama e o Lula, sou mais Lula para presidente das Américas...
Menos mal que quando vieram falar comigo já tinha postado o jingle do Evo Morales. Isso me redimiu e deve ter conquistado mais alguns meses de visitação.
O epísódio me lembrou o passado. Há uns vinte anos, quando Britto ganhou do Olívio, escrevi um texto defendendo que a esquerda tinha de se apropriar do marketing. Fiz mil cópias. O texto fez sucesso porque disse algumas verdades. Mas ninguém da cúpula quis se comprometer.
Acontece que o marketing padece de má fama por onde passa. Isso é um fato. Parece uma droga como o álcool ou o cigarro. Todo mundo condena, mas fuma ou bebe. Ou ambos.

El cambio: Jingle de Evo Morales


Recebi cópia do jingle de Evo Morales. O Ben Hur, diretor de criação da agência, fez uma edição rápida em formato de vídeo. Ficou bem legal. O ritmo é uma cumbia villera, que cai bem no gosto popular boliviano. Veja a letra, simples e direta:
Que levanten las manos
Los que quieren a Evo
Que levanten las manos
Los que piden el cambio /
El pueblo já se cansó
De tantas mentiras
Por eso queremos todos
Una nueva Bolívia /
Evo, Evo és diferente
Ama a su pueblo
Quiere a su gente /
Yo amo a Bolívia
Compañero
Yo voy a votar por el Evo

Vitórias e derrotas no horizonte


À medida em que as eleições do segundo turno se aproximam, aumenta a angústia por saber das pesquisas e tendências. Não tenho nenhum número que eu possa revelar, mas posso antecipar tendências. E as tendências são estas:
Em Canoas, Jairo Jorge vai vencer. Nem mesmo o estranho acidente que Jurandir teve semana passada e a tentativa de retirar a campanha do terreno da política e colocar no terreno emocional funcionaram. Quando isso aconteceu, Jurandir já tinha perdido a credibilidade. Posar de vítima e teatralizar a reta final (sendo atendido no Pronto Socorro Municipal, andando de cadeira de rodas etc) pode ter protegido Jurandir de ir mal nos debates mas não lhe garantiu uma virada.
Em Porto Alegre, Fogaça vai vencer. Fogaça mostrou ser, apesar de lento e sem sal, um adversário extremamente difícil de derrubar no ringue do segundo turno. Rosário melhorou muito depois que trocou a equipe de marketing, mas já era tarde.
Em Pelotas, qualquer coisa pode acontecer. Pelotas é uma cidade de movimentos bruscos na boca da urna. Marroni pode vencer. Torço por ele. Mas Fetter ganhou musculatura e também pode ganhar no domingo.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Obama quer meu voto mais 5 dólares


Impressionante esta campanha do Barack Obama na internet. Para colher informações sobre o clipe do Will.i.am acabei entrando no site da campanha do senador. Deixei lá meu e-mail. Horas depois já estava recebendo uma mensagem com diversas orientações sobre como contribuir, participar, reunir etc. Entre os pedidos, veio o de contribuir com 5 dólares. Bastaria clicar no pé da página.
Quero fazer isso na próxima campanha que coordenar. Está certo que temos outra cultura, mas acho que funciona.

De onde saiu o clipe Yes, We Can


[Fragmentos do discurso de Barack Houssein Obama]:


"Sim, podemos” para a justiça e a igualdade. “Sim, podemos” para a oportunidade e a prosperidade. “Sim, podemos” curar esta nação. “Sim, podemos” consertar este mundo.
Quando superamos desafios aparentemente intransponíveis. Quando nos disseram que não estávamos preparados, ou que não deveríamos tentar, ou que não podemos, gerações de norte-americanos responderam com uma crença simples, que resume o espírito de um povo. “Sim, nós podemos”.
Esta crença foi escrita nos documentos fundadores, que declararam o destino de uma nação. “Sim, nós podemos”.
Era sussurrada por escravos e abolicionistas, enquanto abriam uma trilha rumo à liberdade nas noites mais escuras. “Sim, nós podemos”.
Foi cantada pelos imigrantes que deixavam terras distantes e pelos pioneiros que caminhavam para o Oeste, apesar da natureza impiedosa. “Sim, nós podemos”.
Era o chamado dos trabalhadores que organizavam; das mulheres que chegavam às urnas, de um presidente que escolheu a Lua como nossa nova fronteira; e de um rei [1] que chegou ao topo da montanha e apontou o caminho à Terra Prometida. “Sim, podemos” para a justiça e a igualidade. “Sim, podemos” para a oportunidade e a prosperidade. “Sim, podemos” curar esta nação. “Sim, podemos” consertar este mundo.

“Sim, nós podemos”.

[1] No original, King, com maiúscula, referência a Martin Luther King Jr.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Jairo inaugura um novo tempo na política gaúcha


Jairo Jorge vai vencer as eleições em Canoas no próximo domingo. Mas o significado desta vitória vai ultrapassar, e muito, as fronteiras da cidade. Primeiro, porque esta é a vitória de um conceito totalmente novo para a esquerda gaúcha. Segundo, porque Canoas é só o começo de uma trajetória para Jairo Jorge. Terceiro, porque os fundamentos da sua vitória são sólidos.
Não digo isso porque sou de Canoas. Ou melhor: digo isso porque sou de Canoas e sei do que estou falando. Há cerca de quatro anos Jairo percebeu a possibilidade de derrotar as forças da direita em seu município. Na época, a tarefa parecia impossível. De lá pra cá, trabalhou com determinação e planejamento estratégico. A sua vitória no domingo será a vitória do profissionalismo auto-sustentado, a vitória do aprendizado diante das derrotas, a vitória da humildade diante da arrogância.
Mais importante de tudo: a vitória de Jairo deverá, no próximo período, inspirar o PT e a esquerda gaúcha. Não é só Maria do Rosário quem deve aprender com ele. Manoela, Luciana e Beto Albuquerque também precisam olhar para o que acontece na periferia da capital. Para ver o espírito e o ânimo da campanha visita www.jairojorge.com.br. Tem fotos e vídeos bem legais.

Yes, We Can



Muito bom. Encontrei uma versão com legenda. Vale a pena assistir. Barak Obama lembra um pouco Lula em 89... Este clipe já teve mais de 8 milhões de acessos em poucos meses. O produtor musical e membro do grupo Black Eyed Peas, Will.i.am, escreveu esta música, Yes, We Can, baseado nos discursos de Obama. Will.i.am é quem abre e fecha o clipe.
William James Adams Junior, nome artístico will.i.am, tem 33 anos, é rapper, compositor, cantor e produtor musical. Um dos fundadores do grupo Black Eyed Peas, ele compõe e canta a maioria das canções do grupo.
O clipe da música Yes, We Can conta com participações especiais de vários artistas como: Scarlett Johansson (Atriz-Napoleão e Betsy), Kate Walsh (Atriz-Grey's Anatomy), Nick Cannon (Ator-Garfield), Kareem Abdul Jabbar (Jogador de Basquete), John Legend (Cantor), Eric Balfour ( Ator-24 Horas), Adam Rodriguez (Ator-CSI: Miami), Kelly Hu (Atriz-O Escorpião Rei), Herbie Hancock (Pianista). Enrique Murciano (Ator-Desaparecidos), Nicole Scherzinger (Cantora), Common (Cantor), Harold Perrineau (Ator-Lost), Johnathon Schaech (Ator-Tudo para ficar com ele), Maya Rubin (Atriz-CSI: NY), Tracee Ellis Ross (Atriz-Juntos pela vida), Bryan Greenberg (Ator-October Road), Austin Nichols (Ator-The informers), Tatyana Ali (Atriz-Fastlane) e Alfonso Ribeiro (Ator-Um maluco no Pedaço).

sábado, 18 de outubro de 2008

O marketing e as dificuldades do PT em Porto Alegre


As pesquisas deste final de semana parecem indicar uma consolidação da vitória de Fogaça neste segundo turno. E um "acantonamento" de Maria do Rosário em seu território.
A maioria dos dirigentes do PT de Porto sabe que eu luto, e torço, e muito, pela vitória de Rosário em Porto Alegre. Mas sabe também que eu tenho indicado nos últimos anos uma opinião diferente da deles sobre os motivos da derrota desde 2004 com Raul Pont.
Nestes anos, tive a opotunidade de conversar com muitos dos dirigentes do PT portoalegrense. Em geral, venho tentando explicar uma lição básica de marketing: é preciso controlar o ambiente externo porque o consumidor muda de opinião. Hoje ele quer uma 4x4. Aí entra o Al Gore com a campanha contra o aquecimento global e muda tudo. O cara passa a querer carro que não polui e a fábrica inteira precisa ser convertida para o novo momento... O principal problema do PT de Porto Alegre é que ele é excelente fabricante de disco de vinil. Passou 16 anos apresentando o melhor produto da praça. Mas o eleitor mudou...
Há outros problemas, também importantes e também incompreendidos. Vou tratar deles aqui neste blog..... Acho que agora, com a vitória iminente do Jairo em Canoas, finalmente os ouvidos do PT de Porto Alegre vão se abrir. Tomara!

Quando o marketing é culpado pela derrota


É muito raro o marketing ser responsável sozinho por uma derrota ou por uma vitória. Mas acontece. E tem ocorrido com mais frequência.
Normalmente,os erros de campanha têm origem nos erros de avaliação política. Assim como não há propaganda que resolva os problemas de vendas de um mau produto, não tem marketing que faça votos com uma política equivocada.
Serra para presidente - a origem dos erros foi o posicionamento político do tucano, que não queria defender Fernando Henrique. Alckmin, o Geraldo - a origem dos erros esteve na política da oposição, focada no tema da ética. Aos olhos do povo, os tucanos e demos ficaram pregando moral de cuecas enquanto Lula trabalhava pelo país.
Nestas eleições, contudo, uma determinada escola de marketing tem cometido erros monumentais. É uma das mais importantes escolas do país. Chega a ser impressionante. São erros tão grosseiros que parecem resultado de aplicação de marketing de manual.
Me lembram as agências de publicidade especializadas em ganhar prêmios que fazem propagandas criativas e bonitas, mas totalmente ineficientes. Há casos em que as agências enterram os produtos e suas empresas, mas seguem firmes no mercado se vendendo como criativas, dizendo que a culpa não foi delas.
O marketing político não está muito distante disso.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Marketing do PT em Porto Alegre melhora


Melhorou muito o marketing do PT no segundo turno em Porto Alegre. Tirando o sotaque, o fato da campanha de Rosário ir pra cima do adversário sobre o tema da sua lentidão e incompetência vem deixando Fogaça nervoso.
Fogaça no primeiro turno manteve uma posição "radical de centro" e neste segundo turno se deslocou para a "centro direita". Com isso, deixa terreno para Maria do Rosário crescer. Sendo que o discurso anti-petista que embala a direita não tem mais o mesmo eco nos setores que oscilam entre a direita e a esquerda. Ou seja: podemos ter uma disputa eletrizante nesta próxima semana.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Um panorama da evolução do marketing

Acabo de ler "Os 4 Es de Marketing e Branding" de Augusto Nascimento e Robert Lauterborn. O livro traz um histórico da evolução do marketing, dos seus principais conceitos e teorias. Por isso, já vale a pena ler.
Os autores defendem um conceito sistêmico de marketing, branding e vending. Colocam Valor e Vendas no centro do conceito, reforçam os 4 Pês do marketing (Produto, Praça, Preço e Promoção) e criam os 4 Es do branding: Entusiasmar funcionários, Encantar clientes, Enlouquecer concorrentes e Enriquecer a todos.

Abertura do site da Veraz

video

Este estudo foi feito para abrir o novo site da Veraz na rede. Em breve, você vai encontrar ele lá.

Novo site da Veraz na rede

Está no ar o novo site da Veraz. O site é moderno e objetivo. Divulga a empresa e mostra quem é a Veraz sem perder tempo com frescuras.
O site faz parte do processo de reposicionamento da Veraz no mercado gaúcho e brasileiro. A agência, depois de dez anos, realizou um downsizing bem sucedido e está com todo o gás. Está nos planos da Veraz perseguir um modelo de negócios que trata a comunicação de forma holística. Visita lá. O link tá aí do lado.

Vitórias eleitorais

Nas campanhas eleitorais tem os profissionais de marketing que quase ocupam o lugar dos candidatos pelo tanto que se promovem. Não é o meu estilo, nem nunca vai ser. Em geral, os contratos que realizo com os candidatos em campanha quase sempre traz implícita uma regra de sigilo. Faço o trabalho, mas não posso, nem devo, divulgar ou utilizar os espaços de mídia. Mas posso dizer que, até agora, sem que ainda tenha se encerrado o processo eleitoral, estou contente com os resultados: foram cinco os eleitos neste primeiro turno e mesmo os que não alcançaram os votos necessários ficaram contentes.

A evolução do marketing político

Houve um tempo em que os candidatos se desesperavam em busca de promoção. Movidos por esse desejo, eles entravam na agência atrás de boa publicidade e propaganda. Com uma boa dose de paciência, às vezes correndo o risco de ser chato, eu lhes vendia marketing, quando esse produto ainda era incompreendido por 99% das pessoas. Uns poucos acabaram entendendo que levaram ouro a um preço de medalha de bronze. São clientes que mantenho até hoje e que - espertos - me utilizam como publicitário sabendo que tem um serviço completo de marketing.

Hoje, estamos diante de uma evolução do mercado. A facilidade com que as ferramentas de construção da publicidade e propaganda são manejadas (há oito atrás era difícil encontrar um profissional que dominasse os softwares gráficos - e hoje isso é comum), junto da idéia de que é "mais barato" eliminar o intermediário (ou seja, a agência de publicidade e propaganda), jogou os candidatos ao mundo do marketing feito em casa. Mas diante disso, muitos tem se dado conta de que não possuem uma estratégia de marketing e precisam desenvolvê-la. Assim, hoje, meu trabalho é inverso. Ando vendendo o marketing e, correndo o risco de ser chato, também a publicidade e propaganda.

Tudo isso por um motivo simples: o bom marketing só se realiza com a propaganda verdadeiramente competente. Para usar uma metáfora do futebol, de nada adianta ter o melhor técnico do mundo se o seu centro-avante é um perna-de-pau.