segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Os limites da propaganda negativa


Nunca gostei da propaganda negativa. Falar mal dos outros sempre me pareceu uma atividade própria das lavadeiras à beira de um rio ou de amigos na mesa de bar. Depois de gastar todo o seu latim, lavadeiras e amigos passam a "falar do alheio" por absoluta falta de assunto. A propaganda negativa, por este prisma, sempre me pareceu um subproduto da atividade social. Necessária, mas circunscrita a situações muito específicas.
A propaganda negativa sempre é muito útil nas situações de guerra, quando tudo é válido. Em campanhas eleitorais muito intensas, isso também acontece. Mas é raro. No terreno da propaganda política, é difícil ter uma situação neste limite. Quando feita de forma açodada, a propaganda negativa quase sempre é gol contra. O adversário, seja por inteligência dele próprio, seja pela inteligência do público alvo em disputa, acaba se fortalecendo.
O PT nos seus primórdios teve uma vertente de seu marketing que dialogava com a propaganda negativa. O PT fazia todo tipo de propaganda, inclusive negativa. Em seus primeiros 20 anos, o PT falava mal dos adversários. Quase nunca "em público". Quase sempre feito lavadeira. E muito da propaganda negativa do PT era inatacável, porque constituída especialmente da denúncia do autoritarismo e, depois, da corrupção no exercício da política.
Hoje, ainda tem gente que acha que foi isso que construiu o PT. Não valorizam as suas promessas, seus compromissos... E saem fazendo bobagens... Pensam que falar mal dos outros deve vir em primeiro lugar, que um xingamento pode trazer mais dividendos políticos ou apoios que a defesa de bandeiras afirmativas, que acusações estampadas serão apoiadas pelo cidadão - afinal, não é isso que ele fala na mesa do bar? - de maneira "militante"..... Ledo engano! Jesus Cristo ganhou apoio principalmente prometendo o paraíso e não denunciando o Diabo. Gandi ganhou o mundo promovendo a paz e não condenando a guerra. Lula elegeu-se presidente prometendo justiça social e não condenando o capital.
São tantas as lições, mas tem gente que não aprende, não é mesmo?

Um comentário:

Rafael disse...

Realmente, no Brasil muitos empresário investem em propaganda, porém na maioria das vezes, não fazem o devido planejamento destas, ocasionando um efeito negativo ou até mesmo pejorativo, contando pontos para a concorrência.
Creio que se fossem gastos mais tempo com planejamento e estudo do publico alvo, veriamos mais propagandas de boa qualidade que com efeito substancialmente mais agressivos do que as atuais.